As obras do Programa de Saneamento Rural do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH do Rio Pará) tiveram início oficialmente no assentamento Antônio Veloso, na zona rural de Pompéu, no Baixo Rio Pará. Nesta quinta-feira (05), foi realizado um evento na comunidade, para marcar o lançamento das intervenções na região. Nesta primeira etapa, oito famílias do assentamento serão beneficiadas com sistemas individuais de tratamento de esgoto, com o objetivo de melhorar as condições de saneamento, saúde e preservação ambiental.
O programa é executado com apoio técnico da Agência Peixe Vivo e faz parte de uma série de ações voltadas à proteção dos recursos hídricos na bacia do Rio Pará. A iniciativa busca levar soluções individualizadas de saneamento para áreas rurais, onde muitas vezes os dejetos são lançados diretamente no solo ou em cursos d’água, contribuindo para a contaminação ambiental e problemas de saúde pública.
Segundo o presidente do Comitê, José Hermano Franco, o Programa é resultado de um planejamento iniciado há alguns anos e tem caráter contínuo. “A gente desenhou esse programa lá atrás e entendemos que era importante levar isso para as pessoas. Nós não vamos resolver os problemas do rio inteiro de uma vez, mas o Comitê, dentro das possibilidades, sonhou com isso e agora estamos colocando em prática”, afirmou.
Ele destaca ainda que a intenção é ampliar as ações ao longo de toda a bacia. “Agora começamos no Baixo Rio Pará. Iniciamos hoje as obras em Pompéu e, dentro de um mês, vão ter início as intervenções na Aldeia Kaxixó, em Martinho Campos – onde serão instalados 28 sistemas de tratamento de esgoto em 31 residências do Território Indígena. Depois seguimos para o Médio e o Alto. É um Programa que não tem fim. Termina um edital, a gente lança outro e continua fazendo.”
Ao todo, mais de R$ 7 milhões serão investidos nesta etapa para financiar as obras ao longo de toda a bacia. No Alto Rio Pará, as obras serão realizadas nos povoados de Cajuru e Jacarandira, no município de Resende Costa, além da comunidade dos Custódios, em Cláudio. Já na região do Médio Pará, os recursos serão destinados às comunidades de Branquinhos, na zona rural de Divinópolis, e aos povoados de Bom Jesus de Angicos, Jacarandá e Olhos d’Água de Angicos, em Carmo do Cajuru.
De acordo com o fiscal técnico da Agência Peixe Vivo, Guilherme Silva, a escolha das comunidades beneficiadas foi feita a partir de um Procedimento de Manifestação de Interesse dos municípios, seguido de uma análise técnica. “A gente hierarquizou as demandas considerando vários critérios, como a incidência de doenças relacionadas à água contaminada por esgotos domésticos”, explica. Após essa etapa, equipes especializadas realizaram visitas às propriedades para desenvolver projetos específicos para cada residência.
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Benefícios para o meio ambiente e para a saúde
A diretora de Meio Ambiente da Prefeitura de Pompéu e secretária-adjunta do Comitê, Larissa Reis, explica que a comunidade escolhida apresentava uma situação crítica de saneamento. “As águas sujas iam para o subsolo, contaminando o lençol freático e córregos próximos. Nas casas ainda existem as chamadas fossas negras, onde os dejetos são despejados sem nenhum tratamento. Além da questão hídrica, há também o impacto na saúde das pessoas”, afirmou. A vulnerabilidade social e ambiental da comunidade foi um dos fatores decisivos para a escolha do assentamento Antônio Veloso.
As obras incluem a implantação de sistemas ecológicos de tratamento de esgoto nas propriedades rurais. O responsável técnico pela execução das intervenções, Weverton Ferreira, explica que a tecnologia utilizada permite tratar tanto as águas provenientes de pias e chuveiros quanto os resíduos do vaso sanitário. “É uma tecnologia social que utiliza tanques de evapotranspiração e círculos de bananeiras para tratar os efluentes. Assim, evitamos que esses resíduos sejam lançados diretamente no solo ou nos córregos, prevenindo a contaminação do meio ambiente”, detalha.
Moradora da região há mais de três décadas, Juciléia Aparecida da Silva comemorou a chegada do programa. “Vai melhorar demais. Antes era tudo como antigamente e isso acaba trazendo bactéria e doença. Esse projeto foi muito bom e estou muito satisfeita”, disse.
Para a presidente da Associação de Moradores do Assentamento Antônio Veloso, Maria Eliene Caetano, a iniciativa representa a realização de um desejo antigo da comunidade. “Desde 2006, temos o sonho de que nosso assentamento seja modelo para o mundo. Quando entendemos que somos nós que cuidamos do que usamos, passamos a ter mais saúde. Sem água não tem alimento, então cuidar da água é estar no rumo certo”, afirmou.
Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Henrique Ribeiro
*Fotos: Helenir Gaipo
