O primeiro dia da Expedição Rio Pará Vivo 2026 reuniu educação ambiental, mobilização social, cultura e preocupação com a situação do Rio Pará em uma jornada que passou pelos municípios de Resende Costa e Passa Tempo, nesta segunda-feira (11). Promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH do Rio Pará), a iniciativa percorre o rio da nascente à foz em caiaques, conectando municípios e comunidades ribeirinhas ao longo da bacia hidrográfica.
A programação começou em Resende Costa, berço da nascente do Rio Pará, com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre a prefeitura municipal, o CBH do Rio Pará e a Agência Peixe Vivo para implantação do Programa de Saneamento Rural nas comunidades de Jacarandira e Cajuru.
O ato contou com a participação do vice-prefeito de Resende Costa, Paulo Altivo de Moura, além de representantes da prefeitura, do Comitê e da Agência Peixe Vivo. O programa prevê a construção de mais de 100 sistemas individuais de tratamento de efluentes domésticos, como TEvaps, círculos de bananeiras, biodigestores, sumidouros e módulos sanitários.
“Para a gente, é muito importante receber essa expedição do Rio Pará aqui em Resende Costa, porque é aqui que nasce o Rio Pará. Então, a gente tem uma obrigação muito grande de cuidar das águas que nascem aqui, porque essas águas passam por diversas cidades até chegar ao seu ponto final. Temos a responsabilidade de fazer com que essa água saia daqui limpa e siga assim até os outros municípios e estados por onde o rio passa”, afirmou Paulo Altivo de Moura.
Sobre o Programa de Saneamento Rural, o vice-prefeito destacou os impactos positivos para a população e para a preservação ambiental. “Isso é muito importante, porque hoje ainda existem casos de esgoto a céu aberto, e algumas pessoas acabam jogando esse esgoto até nas nascentes. Isso preocupa muito o município, porque a gente sabe que as águas estão cada vez mais poluídas. Com esse programa, vocês vão agregar muito para o nosso município, principalmente na qualidade de vida e na saúde das pessoas, porque várias doenças podem surgir devido ao descarte irregular de esgoto no meio ambiente.”
Da nascente para o rio
Após a solenidade, os expedicionários realizaram visita técnica à nascente do Rio Pará, onde foi inaugurada uma placa de identificação do olho d’água e realizado o plantio de mudas nativas. Em seguida, os canoístas iniciaram a navegação pelo primeiro trecho do rio. Foi justamente nesse percurso inicial que a equipe encontrou um cenário preocupante: forte assoreamento, excesso de areia e baixa profundidade em diversos pontos do Rio Pará.
Segundo o presidente do CBH do Rio Pará, José Hermano Franco, a situação encontrada reforça a necessidade de ampliar ações de recuperação ambiental e conscientização da população. “Foi um dia muito positivo, ainda que as notícias não sejam tão boas quanto a gente gostaria. Mas deu tudo certo. Conseguimos conversar bem lá em Resende Costa, teve um evento muito bacana, e depois conseguimos colocar os barcos dentro do rio. Aí veio a parte que a gente já imaginava, de alguma forma, que encontraria alguns problemas, mas não na dimensão que vimos. O rio está muito assoreado, com muita areia. Em alguns trechos, ele está muito largo, com 50, 70 metros de largura, mas com apenas 20 centímetros de profundidade.”
Diante do cenário encontrado no primeiro trecho da navegação, José Hermano Franco destacou que a expedição também cumpre o papel de evidenciar os desafios enfrentados pelo Rio Pará e reforçar a necessidade de ações de recuperação e conscientização ambiental. “Isso demonstra o cuidado que precisamos ter com o rio, pensando em ações de desassoreamento, na proteção das matas ciliares e também na educação para o consumo consciente da água. Então, eu considero a experiência positiva, porque é justamente isso que o comitê queria mostrar: a realidade do rio.”

Recepção mobiliza Passa Tempo
A chegada da expedição em Passa Tempo marcou o primeiro grande ponto de parada da jornada. Centenas de crianças, moradores, estudantes e autoridades aguardaram os expedicionários às margens do Rio Pará, no Paraíso dos Dornellas, em uma programação marcada pela integração entre educação, cultura e meio ambiente.
O evento contou com apresentações culturais, concurso de poesia com estudantes da rede municipal, oficina de bombas de sementes nativas e atividades educativas sobre a bacia hidrográfica do Rio Pará.
O prefeito de Passa Tempo, Juscelino Rocha, destacou a importância da troca de experiências e do envolvimento das escolas na construção da consciência ambiental. “Eu acho de extrema importância estar falando com vocês e ter essa troca de conhecimento, para que vocês possam levar a experiência do nosso rio e também da nossa administração. A gente se preocupa muito com a questão ambiental e, lógico, com as nossas águas. Estamos desenvolvendo várias ações nessa área. Também estamos trazendo as escolas para participar, integrando as crianças, para que elas cresçam com essa consciência e entendam a importância da água, do meio ambiente e do nosso Rio Pará.”
O secretário municipal de Meio Ambiente, Mário Sérgio Andrade, ressaltou o papel da expedição na mobilização comunitária e no fortalecimento do sentimento de pertencimento em relação ao território. “Para a nossa população, é muito importante essa convivência, principalmente para as crianças, porque elas passam a conhecer o território e entender a importância da bacia hidrográfica do Rio Pará, tanto para as questões ambientais quanto econômicas e sociais do município. Quando conhecem o território, elas criam um sentimento de pertencimento e afetividade, e isso faz com que queiram protegê-lo. Esse conhecimento também é levado para os pais e para as pessoas envolvidas na comunidade. Então, é uma forma de mobilizar a população para tornar o Rio Pará cada vez mais vivo.”
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Educação ambiental e consciência coletiva
A participação das escolas foi um dos destaques do primeiro dia da expedição. Professores e estudantes acompanharam as atividades e participaram das ações educativas promovidas pelo Comitê.
Para a professora Ellen Souza, da Escola Estadual Coronel Américo, a experiência amplia a percepção coletiva sobre a gestão da água e os impactos ambientais compartilhados entre os municípios da bacia. “O que fica dessa passagem da expedição é uma experiência muito importante de compreensão sobre gestão a partir de uma bacia hidrográfica, porque isso amplia a consciência coletiva. A gente passa a entender que estamos todos interconectados pela água, que é um bem coletivo, um bem de todos. Fica também essa percepção de que o impacto causado em um lugar interfere diretamente no território do outro. Então, acredito que a principal lição é justamente o exercício do coletivo e da participação conjunta.”
Expedição segue por municípios da bacia
A Expedição Rio Pará Vivo 2026 segue até o dia 16 de maio, passando ainda pelos municípios de Carmo do Cajuru, Divinópolis, Pitangui/Conceição do Pará, Martinho Campos e Pompéu.
Ao longo do percurso, o CBH do Rio Pará promove encontros com comunidades, escolas, usuários de recursos hídricos, representantes do poder público e organizações locais, reforçando o Rio Pará como eixo estruturante da vida, da produção, da cultura e da identidade regional.
Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Leo Boi; Fernando Piancastelli
