Revista Rio Pará nº 04: Arte que floresce nas ruas

24/01/2026 - 10:00

Mika Ribeiro transforma os muros da bacia do Rio Pará em painéis de cor, afeto e consciência ambiental, com arte urbana acessível, inclusiva e cheia de propósito

É em Itapecerica, cidade mineira entre serras, rios e memórias familiares, que Mika Ribeiro tem deixado sua marca — ou melhor, seus murais. Artista visual, muralista e facilitadora de oficinas de arte, Mika transforma as ruas em espaços de afeto, expressão e pertencimento. Seu trabalho, que começou a tomar forma após uma longa viagem de mochilão pelo Brasil, mistura cores vibrantes, formas geométricas, lettering e florais com uma proposta clara: levar arte para onde as pessoas estão.

Mika Ribeiro transforma arte em linguagem de pertencimento e consciência, colorindo muros, ideias e futuros possíveis. À direita, mural do Abrigo de Idosos Frederico Correa, em Itapecerica.

 

Com uma estética contemporânea e bem-humorada — ou, como ela mesma define, “desenho com cara de desenho” —, Mika rejeita o realismo excessivo para abrir espaço ao lúdico e à imaginação. Seus murais espalhados por Itapecerica e outras muitas cidades funcionam como janelas para outros mundos possíveis. Além dos trabalhos voluntários no espaço urbano, ela também atua com quadros, arte digital e projetos comerciais, sempre com um olhar voltado à inclusão e ao impacto positivo.

A consciência ambiental atravessa toda a sua produção. Vegetariana e apaixonada pela fauna e flora locais, Mika utiliza tintas à base d’água e materiais reaproveitados em seus projetos e oficinas. Sua preocupação com o meio ambiente vai além da arte: ela também é integrante do Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (CODEMA) de Itapecerica. A natureza é mais que inspiração — é parte viva de sua prática artística e de seu posicionamento no mundo.

Escola Municipal Joaquim Diogo, Zona rural de Itapecerica.

 

Em suas criações, Mika também lança luz sobre vozes que, por muito tempo, foram silenciadas ou apagadas da história da arte. Mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e outras identidades minorizadas — que tantas vezes tiveram suas obras censuradas ou atribuídas a terceiros — aparecem em seus murais como protagonistas de uma nova narrativa. Seus murais, por onde passam, não apenas colorem a paisagem, mas despertam o senso de pertencimento, cuidado e liberdade criativa. Mika não pinta só muros — ela semeia outros futuros.

Mural “Nada permanece imutável”, homenagem a Joseph Rodrigues.

 


Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
Texto: Luiz Ribeiro
Fotos: Mariana Teixeira, Bento Carlos Ramos e Mika Ribeiro

 

Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará

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