Após seis dias de navegação, encontros comunitários, atividades educativas e mobilização ambiental ao longo de toda a bacia hidrográfica, a Expedição Rio Pará Vivo 2026 chegou, neste sábado (16), ao município de Pompéu, marcando o encerramento oficial da travessia do Rio Pará da nascente à foz, em seu encontro com o Rio São Francisco.
Promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH do Rio Pará), a iniciativa percorreu o rio em caiaques entre os dias 11 e 16 de maio, conectando municípios, escolas, comunidades ribeirinhas, povos tradicionais, usuários de recursos hídricos, gestores públicos e representantes da sociedade civil em torno da preservação das águas.
A programação de encerramento foi realizada na Praça Levi Campos, durante a tradicional Feirinha da Agricultura Familiar de Pompéu, reunindo moradores, autoridades, estudantes e participantes da expedição em um momento marcado por cultura, educação ambiental e celebração coletiva da trajetória percorrida.
Encontro das águas e encerramento simbólico
O último trecho da navegação levou os expedicionários até a foz do Rio Pará, no encontro com o Velho Chico — ponto simbólico que marcou o encerramento da jornada iniciada na nascente, em Resende Costa.
Ao longo da expedição, os participantes atravessaram diferentes paisagens, realidades sociais e desafios ambientais da bacia. A travessia revelou desde trechos fortemente assoreados no Alto Rio Pará até problemas relacionados ao saneamento urbano em grandes cidades, como Divinópolis, além do potencial turístico, esportivo, cultural e ambiental existente em comunidades ribeirinhas ao longo do percurso.
Presidente do CBH do Rio Pará, José Hermano Franco destacou que um dos principais objetivos da expedição foi aproximar as pessoas do rio e ampliar a participação social na defesa das águas. “Essa foi uma das coisas mais importantes da expedição: conversar com as pessoas, dar voz a elas, permitir que falassem, reclamassem e se manifestassem livremente. O que queremos é que as pessoas valorizem o rio”, afirmou.
Segundo ele, a preservação do Rio Pará depende do envolvimento coletivo da sociedade. “Não são meia dúzia de pessoas que vão salvar o rio. É a população entendendo a importância daquela água para todos, a importância dos usos múltiplos da água — e não apenas para poucos interesses ou para receber esgoto.”
José Hermano também ressaltou que a expedição reforçou uma compreensão mais ampla sobre o significado do rio para os territórios e comunidades da bacia. “Como foi dito várias vezes durante a expedição: o rio é mais do que a água em sua calha. O rio tem vida, cultura, amor, histórias e famílias. Enfim, ele carrega uma infinidade de elementos que vão muito além da quantidade de água que existe ali ou apenas do abastecimento e da dessedentação. Viva o nosso Rio Pará!”
Pompéu celebra programas e mobilização
A recepção em Pompéu contou com apresentações da Corporação Musical Lira Pompeana, atividades culturais realizadas por crianças do município e uma exposição educativa sobre a Bacia Hidrográfica do Rio Pará.
O encerramento também destacou os investimentos realizados pelo CBH do Rio Pará no município, especialmente por meio do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água e do Programa de Saneamento Rural.
O primeiro destes executa ações de recuperação ambiental na microbacia do Ribeirão Pari, com investimentos de aproximadamente R$ 3,7 milhões em práticas de conservação do solo, proteção de nascentes, retenção hídrica e recuperação de áreas degradadas.
Já o Programa de Saneamento Rural iniciou recentemente a implantação de sistemas individuais de tratamento de esgoto no assentamento Antônio Veloso, beneficiando famílias da comunidade.
Diretora de Meio Ambiente de Pompéu e conselheira do CBH do Rio Pará, Larissa Reis destacou a importância simbólica do encerramento da expedição no município. “É um sentimento de muita alegria e conscientização acompanhar essa jornada da nascente à foz, que se encerra aqui, no município de Pompéu. Foi uma experiência marcada pela integração entre ciência, cultura e educação ambiental, especialmente no trabalho realizado com as crianças.”
Segundo ela, a passagem da expedição deixa um legado de conscientização para o município. “A expedição termina aqui, mas o que fica para Pompéu e para a comunidade é muito valioso: mais conhecimento, mais clareza e uma percepção maior sobre tudo o que ainda podemos fazer em favor do nosso rio.”
Larissa também destacou os resultados já percebidos a partir dos programas ambientais executados pelo Comitê no município. “Essas iniciativas trouxeram não apenas conscientização, mas também resultados concretos. As pessoas passaram a perceber o quanto essas ações são importantes para a preservação do solo, para a retenção da água e para a melhoria da qualidade ambiental.”
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Saneamento rural transforma realidade no campo
Entre os destaques apresentados durante o encerramento esteve o impacto das ações de saneamento e conservação ambiental nas propriedades rurais beneficiadas pelos programas do Comitê.
Moradora de Pompéu e beneficiária do Programa de Saneamento Rural, Eliene Caetano afirmou que as intervenções realizadas trouxeram mudanças concretas para as famílias atendidas. “A obra foi excelente e representa a realização de um sonho pelo qual sempre lutamos. Inclusive, criei duas entidades no município de Pompéu justamente com esse propósito: cuidar da água e promover a preservação ambiental.”
Segundo ela, os resultados já podem ser percebidos diretamente nas propriedades rurais. “O projeto foi muito bem executado, e hoje já conseguimos perceber os resultados, principalmente na minha propriedade. A diferença aparece até mesmo na plantação.”
Eliene também destacou a importância da conscientização coletiva sobre a preservação das nascentes e dos cursos d’água. “Muitas pessoas ainda acham que água é apenas para beber, usar e depois reclamar de quem faz a gestão. Mas elas também precisam entender que têm responsabilidade sobre sua preservação.”
Moradores reforçam importância do Rio Pará
A programação reuniu moradores de diferentes regiões de Pompéu, muitos deles diretamente ligados ao Rio Pará e às ações ambientais desenvolvidas na bacia.
Morador do município, Evandro Chaves destacou a importância do rio para o abastecimento da cidade e para as comunidades ribeirinhas. “O Rio Pará é muito importante para nós aqui em Pompéu, especialmente para os ribeirinhos. É dele que vem a água captada pela Copasa, que abastece a nossa cidade. Por isso, queremos fortalecer essa luta para termos um rio cada vez mais preservado e saudável.”
Ele também agradeceu aos participantes da expedição pelo esforço realizado ao longo dos seis dias de navegação. “Só temos a agradecer aos expedicionários, porque não é fácil fazer um percurso desde a nascente até chegar aqui. É um trabalho maravilhoso o que estão realizando.”
Expedição deixa legado de mobilização e consciência ambiental
Participante integral da Expedição Rio Pará Vivo 2026, o conselheiro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Antônio Jackson Lima, destacou que iniciativas como essa ajudam a aproximar a sociedade da realidade vivida pelos rios brasileiros. “Mobilizar pessoas em defesa dos rios é um dos maiores desafios. Muitas vezes, todos dizem amar o rio, mas poucas pessoas realmente se envolvem e participam das ações de preservação.”
Segundo ele, a navegação permitiu identificar diferentes problemas ambientais ao longo da bacia. “Nesta segunda expedição pelo Rio Pará, foram identificados trechos preocupantes, com assoreamento, excesso de areia e troncos, dificultando até mesmo a navegação em caiaques. Também chama atenção a situação de cidades como Divinópolis, onde ainda há graves problemas de saneamento e poluição dos afluentes.”
Antônio Jackson destacou ainda a importância do documentário produzido durante a expedição para ampliar o alcance das discussões ambientais. “A expectativa é que o documentário produzido a partir da expedição ajude a levar essas informações aos 35 municípios da bacia, fortalecendo o debate e incentivando a população e os comitês a assumirem um compromisso maior com a preservação das águas.”
Uma travessia pelo território, pela memória e pelo futuro do rio
Ao longo de seis dias, a Expedição Rio Pará Vivo 2026 percorreu municípios, comunidades rurais, áreas indígenas, afluentes urbanos e regiões historicamente ligadas ao rio, evidenciando tanto os desafios quanto as potencialidades da bacia hidrográfica.
Da nascente em Resende Costa ao encontro com o São Francisco em Pompéu, a iniciativa transformou o Rio Pará em rota de educação ambiental, ciência, mobilização social e valorização cultural — reafirmando o rio como eixo estruturante da vida, da produção, da memória e da identidade regional.
Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Luiz Ribeiro; Paulo Vilela; Rodrigo de Angelis; Fernando Piancastelli; Leo Boi
