A Expedição Rio Pará Vivo 2026 chegou, nesta quinta-feira (14), à comunidade de Velho da Taipa, às margens do Rio Pará, em uma programação conjunta entre os municípios de Conceição do Pará e Pitangui. Promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará (CBH do Rio Pará), a iniciativa reuniu estudantes, moradores, professores, gestores públicos e lideranças comunitárias em uma tarde marcada por educação ambiental, cultura, memória e reflexão sobre o futuro do rio.
Realizada na Estação Cultural Velho da Taipa, a programação contou com apresentações artísticas, atividades educativas, exposição sobre a bacia hidrográfica, participação de escolas dos dois municípios, além da recepção dos expedicionários que percorrem o Rio Pará em caiaques, da nascente à foz.
Mais do que denunciar problemas ambientais, o quarto dia da expedição evidenciou as potencialidades do Rio Pará para o turismo, o lazer, os esportes náuticos, a pesca e a integração comunitária — possibilidades que, segundo os participantes, dependem diretamente da recuperação e preservação da qualidade das águas.
Navegação revela um rio mais vivo, mas ainda impactado
Coordenador da navegação e um dos expedicionários, Rodrigo de Angelis relatou que o trecho percorrido entre Divinópolis e Conceição do Pará apresentou sinais de recuperação em relação às condições encontradas no dia anterior. “No quarto dia da expedição, a água apresentou melhora perceptível. Embora ainda não seja recomendável contato prolongado, o desconforto causado pela poluição diminuiu bastante”, afirmou.
Segundo ele, a paisagem também mudou ao longo do percurso, tornando-se mais rural e marcada pela presença constante da população nas margens do rio. “Passamos por regiões com muitos pescadores, pesqueiros e ranchos. Em alguns pontos, vimos sítios com gramados chegando até a margem do rio, demonstrando uma relação mais próxima e cuidadosa da população com o ambiente”, destacou.
Rodrigo também chamou atenção para o potencial esportivo e turístico do trecho, especialmente nas áreas de corredeiras. “A expedição passou por uma região onde aprendi a remar há 26 anos. É um local muito frequentado por pescadores e que também poderia ser utilizado para a prática da canoagem e de esportes ligados ao rio. Mas isso só será plenamente possível quando tivermos um rio limpo e seguro para uso da população”, ressaltou.
Ele destacou ainda que, da ponte da usina hidrelétrica até Velho da Taipa, o rio apresenta mata mais preservada e forte utilização pelas comunidades locais para a pesca e o lazer.
Programação une dois municípios em torno do rio
A recepção em Velho da Taipa simbolizou a integração entre Conceição do Pará e Pitangui, municípios diretamente conectados pelas águas do Rio Pará. A programação reuniu estudantes das redes municipais e estaduais, apresentações culturais, atividades ambientais e momentos de interação entre as comunidades.
O secretário de Meio Ambiente e Agricultura de Pitangui, Kássio Lacerda, destacou a importância da iniciativa para toda a região. “É de grande relevância para a nossa cidade, juntamente com Conceição do Pará, receber essa programação e essa expedição de vocês. É uma iniciativa de grande valia para toda a região”, afirmou.
Kássio também reforçou a importância econômica e social do Rio Pará. “O Rio Pará abastece toda a nossa região e garante o consumo de milhares de famílias. Também é a força que move a nossa economia, produzindo alimentos por meio da irrigação e sustentando o homem do campo. Como se diz, a água é tudo, né? Então, vamos preservar o nosso rio.”
Já o secretário de Meio Ambiente de Conceição do Pará, Samuel Lara, destacou que a expedição proporciona uma nova forma de enxergar o rio. “Normalmente, nós vemos o rio de fora para dentro. Já os expedicionários observam o rio de dentro para fora. Essa diferença de perspectiva é muito significativa”, explicou.
Segundo ele, a experiência também ajuda a população a perceber novas possibilidades de uso sustentável do Rio Pará. “A expedição contribui ao analisar aspectos como profundidade, navegabilidade e potencial para atividades turísticas, esportivas e de lazer. A presença dos caiaques apresenta à população uma prática ainda pouco comum na cidade, mostrando novas possibilidades de uso do rio”, afirmou.
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Educação ambiental mobiliza estudantes
A participação das escolas foi um dos principais destaques da programação em Velho da Taipa. Estudantes de Conceição do Pará e Pitangui participaram de apresentações culturais, atividades educativas, exposições e dinâmicas voltadas à preservação ambiental.
A professora Rosilene Galvão, da Escola Estadual Doutor Isauro Epifânio, ressaltou a importância da educação ambiental para a conservação da bacia hidrográfica. “O primeiro passo é o conhecimento. Os alunos precisam entender o que é uma bacia hidrográfica e compreender que não basta cuidar apenas do Rio Pará, mas também dos afluentes que deságuam nele”, destacou.
Rosilene também chamou atenção para o papel das matas ciliares na proteção dos rios. “Muitos estudantes vivem em comunidades rurais e convivem diretamente com os afluentes do rio. É essencial aprenderem práticas simples de preservação, como o descarte correto do lixo e a proteção das matas ciliares. Sem essa vegetação, mais cedo ou mais tarde o rio pode desaparecer”, alertou.
A programação contou ainda com apresentações artísticas da Escola Estadual Doutor Isauro Epifânio, participação do Conselho de Crianças de Pitangui, dinâmica ambiental conduzida por alunos do IEV e apresentação da Banda de Música José Viariato Bahia Mascarenhas.
Memória, pertencimento e preservação
Curadora da Estação Cultural Velho da Taipa, Cristina Benícia destacou a importância histórica da comunidade para a formação da região de Pitangui e sua relação direta com o Rio Pará. “Velho da Taipa tem grande importância histórica para a região, pois está diretamente ligado à origem de Pitangui. Foi às margens do Rio Pará que surgiram os primeiros relatos ligados à formação do município”, afirmou.
Ela também relembrou o papel do rio na sobrevivência das famílias da comunidade. “O Rio Pará sempre foi essencial para os moradores daqui. No passado, fornecia água para o consumo, para as tarefas domésticas e também alimento para muitas famílias em tempos de dificuldade. Até hoje, continua sendo fonte de abastecimento, sustento e lazer”, destacou.
Cristina reforçou ainda a necessidade de preservação das margens e da vegetação ciliar. “O rio é um patrimônio coletivo. Precisamos proteger suas margens, evitar o desmatamento e cuidar desse recurso que sustenta tantas pessoas e comunidades”, concluiu.
Expedição segue rumo ao Baixo Rio Pará
A Expedição Rio Pará Vivo 2026 segue até o dia 16 de maio, passando ainda pelos municípios de Martinho Campos e Pompéu.
Ao longo do percurso, o CBH do Rio Pará promove encontros com comunidades, escolas, usuários de recursos hídricos, representantes do poder público e organizações locais, reforçando o Rio Pará como eixo estruturante da vida, da produção, da cultura e da identidade regional.
Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Paulo Vilela; Rodrigo de Angelis; Leo Boi; Fernando Piancastelli
