Informativo do Rio Pará nº9: Salvo da inundação, casarão histórico ganha nova vida em Pompéu

30/04/2026 - 10:00

Conheça o Museu Histórico e Centro Cultural Dona Joaquina

Bem próximo ao trevo de Pompéu, um casarão de dois andares chama a atenção de quem chega à cidade. A construção, com fachada nas cores branco e azul, guarda muito mais do que a beleza da arquitetura colonial. A sede do Museu Genealógico e Histórico e Centro Cultural Dona Joaquina de Pompéu é referência na preservação da memória regional, recontando a história de figuras importantes do município, bem como o papel de mulheres como protagonistas.

O público é recebido por um acervo diversificado e rico. Entre os objetos históricos, quadros e fotos, um convite a uma viagem pelo tempo abordando vários temas. Um dos personagens retratados é o sertanista Antônio Pompeo Tarques, o primeiro morador da região, ainda no século XVIII. O legado dos escravizados na construção do município também é mostrado e valorizado. Os modos de trabalho e personalidades que marcaram o desenvolvimento dessa parte de Minas Gerais também têm espaço de destaque.

Uma dessas figuras é Dona Joaquina de Pompéu, personalidade que, de tão importante, deu nome ao espaço cultural. Dona Joaquina de Pompéu foi uma das figuras femininas mais influentes de Minas Gerais no final do século XVIII e início do XIX. Nascida em 1752, tornou-se uma grande proprietária de terras e administradora habilidosa em uma época em que as mulheres raramente ocupavam posições de destaque econômico. Herdando e ampliando vastas fazendas na região de Pompéu, destacou-se pela capacidade de gerir negócios agropecuários, especialmente na criação de gado e na produção agrícola, consolidando um expressivo patrimônio.

Além de sua força econômica, Dona Joaquina ganhou fama por sua personalidade firme e liderança marcante, sendo respeitada — e por vezes temida – em toda a capitania de Minas Gerais. A história dela contribuiu para o desenvolvimento da região central do estado, deixando um legado que ultrapassou gerações. A cidade de Pompéu, inclusive, tem seu nome ligado à sua trajetória familiar e à influência que exerceu na consolidação do povoamento local, tornando-a personagem importante da história mineira.

Objetos preservados no espaço cultural ajudam a contar a trajetória social, econômica e cultural de Pompéu.

 

Patrimônio que quase desapareceu

Hugo de Costa Machado, Diretor de Políticas Culturais, Patrimônio Histórico e Turismo da Prefeitura de Pompéu, e curador do Museu, revela um detalhe, no mínimo curioso, sobre o local. O casarão, onde funciona o museu, ficava originalmente em uma fazenda na zona rural, justamente na área que foi inundada para formação da Usina Hidrelétrica Retiro Baixo, que começou a ser construída nos anos 2000. “Esta casa, por ser inventariada como patrimônio cultural, artístico e histórico pelo município de Pompéu junto ao IEPHA-MG [Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais], foi salva do desaparecimento. Após ser firmado um Termo de Ajustamento de Conduta [TAC] movido pelo Ministério Público de Minas Gerais e acordado entre o Consórcio Construtor da Usina Hidroelétrica Retiro Baixo e o município de Pompéu, a antiga sede da Fazenda do Laranjo foi desmontada e reconstruída dentro da sede do município de Pompéu para dar origem ao Museu Genealógico e Histórico”, explica.

O museu, que este ano completa 15 anos, é uma das riquezas históricas de Pompéu e recebe a visitação de moradores da cidade e de turistas interessados em conhecer mais sobre as raízes da região. “O Museu Histórico fica dentro do Complexo Arquitetônico do Centro Cultural Dona Joaquina do Pompéu que é formado, além do museu, pelo edifício administrativo (sede da Diretoria de Políticas Culturais, Patrimônio Histórico e Turismo, pelo Instituto Histórico e Geográfico de Pompéu). Conta também com um auditório, sala de guarda e um anfiteatro, construído com peças do curral da fazenda, além da Biblioteca Municipal. Construções belíssimas, que nos enchem de orgulho, emolduradas por um espaço verde com árvores do Cerrado”, complementa Hugo.

Peça do acervo do museu revela aspectos do cotidiano e da história dos primeiros moradores da região.

 

O Museu Genealógico e Histórico de Pompéu fica na Av. João Serra Machado, nº 22, em Pompéu.
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 11h e de 13h às 17h.
A entrada é gratuita. Aos fins de semana, é possível agendar visitas pelo telefone (37) 3523-8539.

Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social

 

Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará

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