Revista Rio Pará nº05 e os ecos da Expedição ‘Rio Pará Vivo 2026’

20/10/2026 - 7:30

Todo rio guarda histórias. Para conhecê-las, é preciso percorrer o território, observar suas transformações e, sobretudo, ouvir quem vive nele. Foi com esse propósito que o CBH do Rio Pará realizou, em maio de 2026, a Expedição Rio Pará Vivo, uma jornada de navegação que percorreu o Rio Pará da nascente, em Resende Costa, à foz, em Pompéu, passando por diferentes municípios e trechos da bacia. Agora, a partir dessa experiência, a Revista Rio Pará chega à sua quinta edição e refaz o caminho percorrido em campo propondo uma série de reflexões.


Ao longo do percurso, os expedicionários encontraram comunidades, produtores, pesquisadores, lideranças, instituições e moradores; conheceram iniciativas locais e registraram paisagens, problemas e diferentes formas de relação com o rio. A expedição tornou-se, assim, uma oportunidade de observar a bacia em movimento e de compreender como questões que parecem locais – da conservação ambiental ao saneamento, dos usos da água à mobilização social – estão conectadas.

Redução da superfície da água na bacia e mobilização em prol do território

Logo nos primeiros quilômetros, o cenário trouxe um alerta. Dados sobre a redução da superfície de água na bacia nas últimas quatro décadas ajudam a dimensionar uma transformação que também pode ser percebida na paisagem. A pressão sobre as matas ciliares, a disponibilidade hídrica e os diferentes usos da água mostram que os desafios começam muito antes de o Rio Pará ganhar volume.

Em Carmo do Cajuru, a expedição encontrou outra dimensão dessa relação com as águas: a mobilização. Iniciativas locais mostram que o cuidado com o rio também nasce do vínculo que as pessoas constroem com ele. Ao longo da travessia, encontros como esse se repetiram, aproximando o Comitê de comunidades e pessoas que fazem do pertencimento uma forma de participação.

Desafios ambientais e potencialidades

Na maior cidade da bacia, Divinópolis, o Rio Itapecerica trouxe à tona um dos problemas mais antigos e complexos da bacia: o saneamento. Em entrevista à Revista Rio Pará, o professor Adriano Parreira, que acompanhou a agenda e conduziu uma análise da água diante do público, fala sobre a transformação do rio, os impactos do tratamento insuficiente de esgoto e da destinação dos resíduos sólidos e os caminhos possíveis para sua recuperação.

Mas o rio também pode ser espaço de encontro, lazer e descoberta. Entre Conceição do Pará e Pitangui, olhamos para as possibilidades de turismo, pesca e esportes náuticos associadas ao Rio Pará e para as condições necessárias para que esses usos possam crescer em equilíbrio com a conservação ambiental.


Boa viagem pelo Rio Pará!


Martinho Campos e o encontro, tão esperado, com o Velho Chico

Na editoria Territórios, o município em destaque é Martinho Campos. Ali, o Rio Pará ganha outros significados. Para quem vive da produção rural, é fonte de trabalho e sustento. Para moradores, faz parte da memória e da paisagem. Para o povo Kaxixó, é ancestralidade, cultura e pertencimento. São diferentes relações com uma mesma água, que ajudam a compreender a complexidade de uma bacia compartilhada.

E então chegamos à foz. Em Pompéu, onde o Rio Pará encontra o Velho Chico, a travessia termina, mas as perguntas permanecem. O que estamos deixando pelo caminho? Que rio queremos encontrar daqui a algumas décadas? E o que precisa ser feito hoje para que ele continue cumprindo seus diferentes papéis? A perda recente de mata ciliar no baixo curso e os resultados dos programas de saneamento rural, conservação ambiental e produção de água ajudam a construir algumas dessas respostas.

Vamos refazer o caminho por meio da sensibilidade do olhar de dois fotógrafos

Também é possível contar essa viagem sem palavras. Pelas lentes de Léo Boi e Fernando Piancastelli, a seção Arte na Bacia reúne outros olhares sobre a expedição e sobre o território. São fotografias que registram paisagens, encontros e detalhes que, muitas vezes, escapam à narrativa escrita.

Ao percorrer novamente o Rio Pará, esta edição convida o leitor a conhecer um pouco mais do território que o rio atravessa e das pessoas que ajudam a construí-lo. Da nascente à foz, uma certeza acompanha a jornada: cuidar de um rio é também cuidar das histórias, dos lugares e dos modos de vida que dependem dele.


Assessoria de Comunicação do CBH do Rio Pará:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Editorial da Revista Rio Pará nº05 – Luiz Ribeiro

Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Pará

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